Cidade foi incluída na Plataforma Brasil M.A.I. S., Sistema do Ministério da Justiça usa imagens de satélite e inteligência artificial para monitorar alterações no território e apoiar ações integradas de fiscalização ambiental e urbana
Secom-Cotia
A Prefeitura de Cotia passou a integrar a plataforma Brasil M.A.I.S. (Meio Ambiente Integrado e Seguro), uma iniciativa estratégica do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), coordenada pela Polícia Federal, que utiliza imagens de satélite de alta resolução e inteligência artificial para monitorar, em tempo quase real, alterações no uso do solo em todo o território nacional.
A adesão ao sistema fortalece diretamente o combate aos loteamentos clandestinos, um dos principais desafios urbanos e ambientais do município, especialmente nas áreas próximas à Reserva Florestal do Morro Grande, região estratégica para a preservação ambiental e o abastecimento hídrico.
Segundo a Secretaria da Habitação de Cotia, o município carrega um passivo significativo relacionado ao parcelamento irregular do solo. “Houve uma negligência muito grande ao longo do tempo. Hoje, temos inúmeros processos do Ministério Público contra o município em função de parcelamento clandestino”, disse o responsável pela pasta Airton Amaral.
De acordo com o secretário, a fiscalização tradicional exigia grande esforço operacional e nem sempre conseguia agir de forma preventiva. “Todo mês a gente tinha que ir a campo, comparar fotos e detectar o que foi feito irregularmente. É um desgaste enorme e, sem tecnologia, fica praticamente impossível monitorar a cidade inteira”, explicou.
Monitoramento contínuo e ações mais rápidas
A plataforma Brasil M.A.I.S. cruza imagens diárias de satélite com inteligência artificial para identificar desmatamento, abertura irregular de vias, queimadas e movimentação de terra. Quando uma alteração é detectada, o sistema gera alertas automáticos, com coordenadas exatas e estimativa da dimensão do impacto.
Antes mesmo da adesão formal, Cotia já aparecia nos alertas do sistema. “A Polícia Federal nos notificou sobre 27 áreas no município com indícios de supressão vegetal ou outras irregularidades. Isso foi decisivo para a adesão à plataforma”, disse o secretário.
Com a integração ao Brasil M.A.I.S., o município delimitou oficialmente seu território dentro do sistema, passando a receber alertas automáticos sempre que o satélite identifica alterações entre uma imagem e outra, com um intervalo médio de 24 a 48 horas.
Atuação integrada e respaldo institucional
A adesão à plataforma reforça o trabalho do Grupo de Repressão ao Parcelamento Clandestino, criado pela prefeitura para responder de forma organizada às demandas do Ministério Público e do Judiciário. O grupo reúne diversas secretarias, como Habitação, Meio Ambiente, Segurança, Comunicação e Desenvolvimento Social, e atua de forma transversal.
“O grupo foi criado para dar uma resposta institucional. Hoje temos metodologia, mapeamento das áreas críticas e reuniões periódicas para definir ações”, explicou o Secretário.
Além disso, o uso de ferramentas de geoprocessamento também tem mudado a relação com o Judiciário. “Quando mostramos os mapas, as imagens e o tamanho real das áreas, a compreensão muda completamente. Isso trouxe mais diálogo e decisões mais alinhadas à realidade do território”, completou.

